gajo do mmapa

Hyubris

Hyubris

DIA 17 // 23:30 // PRAÇA RAIMUNDO SOARES

A música é, admitimo-lo desde já, uma arte que se presta à compartimentação. As definições estilísticas regulam o mercado e permitem às pessoas saberem se “gostam” ou não de uma determinada banda ou disco antes mesmo de o terem ouvido. Apenas de acordo com “ estilo” com que se identificam. O jovem coletivo HYUBRIS do tramagal, (Abrantes), não é uma banda normal. Para eles, os estilos musicais são meras formalidades, que se divertem a alterar, mudar de ordem e demolir com a sua arte. A formação do conjunto remonta a 1998, quando um grupo de amigos decidiu juntar-se para tocar a música que gostavam de ouvir. Rapidamente, as primeiras composições tomaram forma, a amizade solidificou-se e a génese de algo muito especial foi criada. O EP “desafio”, editado pela própria banda em 2002, mostrava-o de forma clara: a voz – ora angélica, ora indomável – de Filipa Mota reunia sob a sua alçada elementos líricos, de rock, hard rock, música medieval, elementos neoclássicos, sensibilidade folk sublinhada pelo uso de flauta e uma tendência para a escrita de melodias inesquecíveis que havia de acompanha-los até hoje.

 
Rapidamente, o nome de Hyubris saltou para os ouvidos - e olhos - do publico nacional, através de concertos mesmerizantes e catárticos onde a banda extrapolava e sublimava todos os argumentos da sua musica gravada. Não olhando a “publicos-alvo”, misturando tendências e com a preocupação única de se satisfazerem a si próprios. A edição do álbum de estreia homónimo, em 2005 mostrou não apenas o crescimento musical de uma banda que começava a ser demasiado grande para as fonteiras geográficas do tramagal, como lhes deu uma personalidade quase literária. As letras – misto, tal como a música, de influências pagãs, contos de fadas, poesia portuguesa e emoções mal contidas – acompanhavam a música no amadurecimento anunciado de um coletivo que deixava prometer – e começava a cumprir – os altos voos que lhes foram preconizados. A versão “canção de embalar”, de Zeca Afonso, lado a lado com a canção emotiva de impossível nomeação chamada “mulher do rio”, que carrega consigo todo o peso da população ribeirinha de tramagal, “abriam” ainda mais as influências musicais dos Hyubris e lançavam-nos no caminho da internacionalização e do novo disco, chamado “Forja”.
 
O terceiro disco da banda do Tramagal é maturidade pura. Cantada inteiramente em português, deixa de lado a mera amalgamação estilística e apresenta um estilo Hyubris, em que a gaita-de-foles tem lugar garantido ao lado de uma guitarra hard rock, a flauta pagã convive sem problemas com a bateria tocada bem alto e a fada esvoaçam entre os tradicionais ferreiros da zona centro do país do seculo XIX. O conceito é simples: liberdade. E os Hyubris fazem-no melhor que ninguém, com a bagagem cultural de quem se orgulha das raízes e a genialidade dos visionários que se enredam nas normas estabelecidas. E, mais uma vez aqui, o disco “forja”, por muito bom que se presente, não faz jus ao que a banda revela em cima do palco, onde a sua música se transfigura, cresce, ameaça a audiência, embala-a, encanta-a e a deixa sem folego.


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